Um enfoque meramente negativo não proporciona uma base para desafiar o status quo.
No interior da sociedade capitalista [...] o maior progresso é identificado com a mais avançada e sofisticada maquinaria, independentemente dos efeitos que possa ter, quer na espécie humana, quer no mundo natural como um todo. Acredita-se ainda que tais efeitos podem ser bons ou maus, dependendo de como a tecnologia é usada. Esta alegação da neutralidade tecnológica é de fato um dos mais fortes pontos de apoio ideológico do capital, e tem dividido nitidamente as fileiras dos críticos do capitalismo. Mesmo nos escritos do próprio Marx, podem-se facilmente encontrar argumentos tanto para condenar como aceitar o que no seu tempo eram as novas forças de produção. Assim, de um lado, estas forças despojaram os trabalhadores de sua humanidade, mas, de outro, Marx considerou necessário, no sentido de distanciar-se dos Ludditas, distinguir nitidamente entre a maquinaria em si e o “seu emprego pelo capital” [...] Fazer o balanço destes dois tipos de consideração sempre foi profundamente problemático.
O capitalismo sempre tendeu a infligir insegurança econômica pessoal à classe trabalhadora, mas esta tendência “normal” tinha sido significativamente atenuada nos países industrializados – se não pelo welfare state, então pelo menos pela presença dos sindicatos. É somente em relação a este setor que há alguma novidade social na última rodada de avanços tecnológicos capitalistas. Demissões, mesmo entre os trabalhadores antigamente estáveis, tornaram-se tão rotineiras que a própria noção de emprego da vida inteira é, para a maioria das pessoas, coisa do passado. Por trás deste desenvolvimento permanece não somente a pressão da competição – e, em alguns casos, das fusões– mas também uma utilização mais geral do impulso capitalista para o controle total, um impulso que tem sido usado periodicamente para suplantar considerações de curto prazo de custo e eficiência. A implacável substituição de trabalhadores por tecnologia, junto com a obtenção subjacente de controle, conduz diretamente às práticas ambientais do empreendimento capitalista. O preço da mecanização e desespecialização é cobrado na forma de “externalidades” [...] sob a forma de uma dependência excessiva de bens de capital e combustível, e em uma indiferença calculada em face da difusão de resíduos tóxicos
Muito tem sido feito, nos anos recentes, com a suposta capacidade do capital em responder à crise ecológica através do redirecionamento do seu poder em um sentido “verde”. Entretanto, este é um caso claro (comparável à acomodação inicial do capital com os sindicatos), em que se faz da necessidade uma virtude. Quaisquer que sejam as medidas ecologicamente progressistas eventualmente tomadas por empresas específicas, o quadro maior permanece inalterado. [...] O ostensivo ambientalismo das empresas não é mais que uma postura de relações públicas. Acima de tudo, não somente as empresas mas também o governo mesmo permanecem plenamente atados a uma estratégia global de crescimento.
Nos primeiros anos da União Soviética, graças em parte à influência das visões comunistas mas também em parte ao objetivo de superar o atraso econômico e social da Rússia, a noção de progresso reteve um componente moral o qual fora esquecido havia muito no mundo capitalista. Os projetos tecnológicos soviéticos eram assim, nos seus primórdios, apenas uma dimensão de um projeto muito mais amplo de transformação de todos os aspectos da vida humana [...] entretanto, dados os perigos militares surgidos do cerco capitalista, a visão oficial de tecnologia nunca deixou de estar condicionada por exigências de curto prazo. [...] O debate sobre o “homem socialista” permaneceu assim compartimentado.
Observar o período soviético como um todo provoca um conjunto de reflexões pertinentes para qualquer tecnologia socialista futura. O mais decisivo déficit soviético foi o fracasso em romper a estrutura autoritária do empreendimento produtivo. Os efeitos deste fracasso transpuseram-se para o quadro econômico maior. O erro, entretanto, estava não em qualquer rejeição de práticas capitalistas, mas em não rejeitá-las suficientemente. [...] Tais incentivos criaram poderosas razões para os administradores procurarem se proteger através da superestimação de suas necessidades de insumos e dasubestimação dos objetivos da produção, colocando assim em movimento uma intrincada espiral de fiscalização, supervisão excessiva e rotas de corrupção
apesar dos bem conhecidos desastres ecológicos do bloco soviético, é possível afirmar (a) que houve conquistas positivas e (b) que estas teriam sido maiores se não existissem ameaças externas. Mais ainda, mesmo os admitidos desastres atenuam-se em comparação com aqueles infligidos em várias partes do mundo, desde 1945, pelas investidas militares dos Estados Unidos
poucos de nós compreendemos em toda a profundidade o quanto a tecnologia desenvolvida pelo capital, longe de ser neutra, é realmente, não importa quem a opere, uma tecnologiaeminentemente capitalista
O que define uma tecnologia (em qualquer escala) como socialista é simplesmente sua compatibilidade com – e sua capacidade de promover – os objetivos gerais do socialismo. [...] compromisso com a igualdade social e com a saúde ecológica. Uma tecnologia socialista, então, é aquela que se baseia nestes dois requisitos, ambos favorecidos por uma abordagem mais coletiva da produção e do consumo
A conquista econômica de cada país e a apropriação privada de todos os recursos naturais andam de mãos dadas. A libertação de uma região ou o estabelecimento de “zonas protegidas” (por exemplo, de floresta) constituem retrocessos similares no que diz respeito ao capital. Mais fundamentalmente, dado que os seres humanos são eles próprios parte do mundo natural, e que a capacidade do planeta já foi alcançada se não excedida, o aprofundamento da expansão do capital transforma cada “desastre natural” em desastre humano. Da mesma forma, uma tecnologia que perturba a biodiversidade também estreita o horizonte do bem-estar humano. Dada a dureza das escolhas econômicas que são então impostas, critérios igualitários tornam-se cada vez mais uma condição para nossa sobrevivência comum
A hegemonia da tecnologia capitalista reside não apenas nas suas proezas técnicas mas também [...] na pressuposição de que as pessoas comuns são incapazes de dedicar-se seriamente a questões tecnológicas. Este pressuposto deve ser abandonado. Eu não quero dizer com isso que o treinamento técnico e o conhecimento especializado não tenham importância; obviamente eles são vitais tanto para discussão como implementação, mas isto não os faz suficientes para moldar as escolhas concretas que são feitas. [...] Os mecanismos participativos necessários precisam ser construídos, mas ao mesmo tempo o interesse e a investigação dos problemas tecnológicos têm de ser promovidos até permear cada nível da sociedade.
A totalidade de uma tecnologia nunca pode ser neutra (em termos do seu impacto nas relações sociais), mas isto não é necessariamente o caso para cada componente específico da tecnologia. Muitos, senão a maioria dos aparelhos, têm um duplo potencial, condicionado por questões como quão numerosos eles são, quem tem acesso a eles, e qual impacto sua produção ou seu uso têm sobre o ambiente natural e sobre a saúde humana (mental e física). O automóvel, por exemplo, funciona em muitas partes do mundo como o veículo quase exclusivo para viagens locais. Nesta capacidade, suas virtudes do ponto de vista do capital e seu desastroso impacto do ponto de vista do uso de recursos, da saúde e da comunidade são suficientemente bem conhecidos. Isto não significa, entretanto, que o aparelho em si seja desprovido de potencial positivo; significa somente que deve ser severamente circunscrito: reduzido em número por uma ou duas ordens de magnitude, impedido de entrar em certas zonas, e colocado à disposição de um dado indivíduo ou grupo somente de acordo com certas diretrizes bem definidas e socialmente igualitárias.
É importante acentuar que a tecnologia como um todo é muito afetada pelas decisões ou pressupostos os quais, à primeira vista, não são de modo algum “tecnológicos”, por exemplo, a própria idéia de que a mobilidade física do dia-a-dia de alguém dependeria de um limiar de idade, destreza ou dinheiro, ou a própria idéia do fluxo de tráfego como um processo que rotineiramente requer a intervenção do sistema judiciário
A própria idéia de um sistema de transporte sem colapso, acidentes e patrulhas rodoviárias (sem falar da área sem fim usada pela pavimentação) soa quase como ficção científica; mas as tecnologias específicas necessárias já estão disponíveis. O que está faltando é uma estrutura mais ampla dentro da qual estas tecnologias específicas possam ser combinadas [...] O que de outra forma aparece como apenas um problema técnico torna-se assim uma questão social. A tarefa técnica requer para seu efetivo cumprimento uma certa estrutura social. A estrutura social é portanto essencial para a tecnologia. É nesse nível que a “tecnologia” adquire seu aspecto total ou global, isto é, aquele de uma rede inteira de relações. Se as relações em questão são baseadas em igualdade e ecologia, o que nós temos então, finalmente, é uma tecnologia socialista. [...] O desafio, até agora não respondido, de fundir tais componentes é do tipo político. Seu requisito único indispensável é a participação maciça e organizada de toda a população no debate tecnológico. Enquanto isso não ocorre, o mercado continuará a governar
O pensamento socialista aprofunda a visão democrática, contudo, em dois sentidos complementares. De um lado ele dirige a atenção para a pré-condição subjacente – a remoção do antagonismo de classe – que torna a colaboração democrática possível. De outro, relembra-nos que nenhuma comunidade é uma ilha; mesmo as mais perfeitas instituições locais podem ser solapadas a partir de fora.
o mais urgente requisito é mover o foco de atenção dos agregados nacionais para o impacto dos distintos setores econômicos. Os negociadores podem então dispensar infrutíferas disputas sobre a quais países seriam concedidos mais “direitos de poluição” e podem enfrentar diretamentea questão de quais atividades econômicas – incluindo aquelas dos setores militar, financeiro, comercial e de propaganda – têm mais ou menos relevância para satisfazer necessidades humanas básicas. Este tipo de abordagem faz o maior sentido não somente em termos ecológicos, mas também em termos de restaurar um internacionalismo saudável na consciência popular, dado que os setores desperdiçadores em cada país são de um mesmo tipo
Lamentavelmente, a “institucionalização” adquiriu, assim como o “progresso”, uma péssima reputação na esquerda [...] A alternativa de controlar ou limitar a hierarquia, contudo, também depende da criação de instituições apropriadas. A nova tarefa será estabelecer pela primeira vez um genuíno processo de planejamento. Reconhecer que a descentralização é desejável não significa propor que coordenações de âmbitos nacional, regional e global – particularmente em relação aos aspectos ecológicos – possam ser dispensadas.
O SITAVA, Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos, é a organização sindical mais representativa do Sector da Aviação Civil em Portugal. A grande maioria dos trabalhadores das empresas de Transporte Aéreo, Aeroportos, Aeródromos, Controlo da Navegação Aérea, Assistência em Escala (Handling), Manutenção e Indústria ... O sindicato de trabalhadores rodoviários e atividades metalúrgicas da Regiao Automana da Madeira é a associação sinicial constituida pelos trabalhadores nele filiados que exercem a sua atividade profissional no setor de transportes rodoviários e das atividades metalúrgicas, metalomecanicas, reparaçao automóvel, aluguer de automóveis com e sem condutor, ensino de condução automóvel ... Empresas Automóvel Sindicato minimiza pressão da PSA sobre viabilidade da fábrica O sindicato que representa os trabalhadores da PSA em Mangualde refere que “o discurso de cenários negros ... Automóvel Sindicato preocupado com a não-renovação de contratos a termo na Autoeuropa A estrutura sindical Sitesul tem reunião marcada com a administração da Autoeuropa para as 15h30 de ... Automóvel • Economia. Grupo de WhatsApp, treinamento, ajuda da polícia: como montadoras estão consertando respiradores 17/4/20. Automóvel • Economia. GM propõe redução de salários em fábrica de São José dos Campos 15/4/20. Automóvel • Economia.
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