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Olá amigos. No post anterior introduzi levemente o espírito desta série, e este é o primeiro capítulo "a sério" da série. Este capítulo versa sobre o processo de preparação para a mudança e o "primeiro embate" da chegada ao novo país; que assuntos tive que tratar imediatamente antes de me mudar, assim como assim que cheguei. Como tenho dito, esta experiência é pessoal, e é importante que entendam que não se aplicará certamente a todos. Riam-se, chorem, e deixem os vossos pensamentos na caixinha em baixo.
Ao longo do texto vão ver uns números entre parênteses rectos ([XXXX]). Isto são referências que estão por extenso perto do fim do post, na secção apropriadamente denominada "Referências".
Take-Aways Principais
Eu gosto de ter uns bullet points com as ideias principais que se devem reter de cada capítulo, uma espécie de "se não leres mais nada, lê isto" do capítulo. Os deste capítulo rezam assim:
- Emigrar é caro. Eu não me mudaria para aqui com menos de 10000€ no bolso; tragam mais do que acham que precisam.
- Procurar casa é um processo mais árduo do que em Portugal.
- Não vão ter referências nem fiador (guarantor), por isso venham preparados para pagar 6 a 12 meses de renda adiantados, aos quais acresce a caução de 5 semanas.
- O processo é demorado. Pode facilmente demorar mais de duas semanas entre escolherem o apartamento e entrarem, mesmo que esteja disponível imediatamente, o que é raro.
- À renda acresce sempre o council tax (pensem IMI em esteróides), tenham isso em conta e tentem saber de antemão quanto é.
- Encontrar casa é só o início da epopeia burocrática. Assuntos a tratar imediatamente a seguir incluem:
- National Insurance Number;
- Conta no banco;
- Proof or residence;
- Letter of employment;
- ...
- Reservem tempo para vós, para estarem com a família e para alguns confortos à chegada. Isto ajuda a combater o stress inicial.
Os detalhes estão no texto por aí abaixo.
A odisseia do trabalho científico em Portugal
Já alguma vez tiveram aquele sonho em que querem gritar e não conseguem? Aquela sensação quase infantil de impotência, do pavor da inacção e do pasmo em relação ao que quer que seja que se está a desenrolar à nossa frente? Ou aquele em que querem esmurrar alguém mas não acontece nada? A sensação de impotência é, pessoalmente, das piores que podemos ter; a de querermos fazer alguma coisa, acharmos que sabemos o que fazer e não conseguirmos.
Trabalhar no tecido académico e de micro-empresas português (vulgo technology transfer) é um bocadinho assim. Por mais que um gajo se esforce, é muito difícil escapar à subsidio-dependência, à chico-espertice, à mediocridade, à inexperiência, à falta de processo e, acima de tudo, à falta de recursos. Por bom que seja o sonho, por interessante que seja o projecto, por positivo que seja o ambiente de trabalho, por porreiros que sejam os colegas, há uma sensação latente de "isto não vai dar para construir uma carreira". Isto torna-se particularmente agudo quando se trabalha numa área de tecnologia de ponta, para a qual inevitavelmente o mercado português está pouco desenvolvido. Não havendo mercado, a empresa vira papa-projectos e passa a viver de fundos comunitários, QRENs, COMPETEs, H2020s e coisas que tal. O tempo que se devia gastar em desenvolvimento é gasto a tentar convencer revisores de projectos a darem-nos mais uma esmola, e todos os projectos são uma corrida ao fundo: como é que conseguimos fazer esta omelete bonita com muito poucos ovos? Será que precisamos mesmo de duas pessoas para fazer isto, não dará só uma? Certamente o equipamento X também dá para este projecto.
Um aspecto particularmente doloroso neste ambiente é a altíssima rotatividade dos colegas. Quando se trabalha nestas condições tende-se a depender de recursos precários: bolseiros de investigação, estágios IEFP, estágios profissionais, estágios académicos, e por aí fora. Isto torna imediatamente impossível treinar alguém para fazer alguma coisa de jeito, e dei por mim a ensinar 3 ou 4 pessoas a fazer a mesma coisa em ocasiões diferentes ao longo dos anos. Nunca ninguém fica e toda a gente parte para outra, seja porque a empresa não lhes pode pagar, ou porque são incompetentes demais para nos darmos ao trabalho de lhes tentar arranjar financiamento. As caras e os nomes confundem-se numa espécie de groundhog day tecnológico em que cada ano que passa temos as mesmas conversas. Um tipo que vá ficando, ora porque é bom ou porque é teimoso, vai dando por si a avançar na idade ao mesmo tempo que os colegas não. A certo ponto, todos os meus colegas eram pelo menos uns 4 ou 5 anos mais novos que eu; ora se até eu quase nem tinha barba (hipérbole), então eles estavam mais verdes que as bananas da Costa Rica quando chegam ao Continente.
Quando me perguntam porque é que os portugueses têm tendência a se dar bem lá fora, aponto-os sempre para as condições em que somos habituados a fazer trabalho world-class. As publicações a que submetemos artigos não querem saber das nossas dificuldades; querem papers de qualidade. As agências de financiamento não querem saber de rotatividade, querem saber de know-how, track record e orçamentos. O trabalho que temos que entregar para sobreviver tem que ser de topo, ao mesmo tempo que as condições são de fundo. Pega-se num tipo habituado a isto, senta-lo numa cadeira de 300€, dá-se-lhe 3 monitores e um portátil que dava para comprar um carro, e é natural que o desempenho seja incrível.
Eu não me considero um perfeccionista (e acho que quem se considera perfeccionista pensa demais de si próprio) mas procuro estar numa constante curva ascendente no que toca à qualidade do meu trabalho. Umas vezes a curva é mais inclinada, outras vezes é menos inclinada, mas a cada dia estar um bocadinho melhor que no dia anterior. Aliás, quem me conhece sabe que esse é um traço que aplico em quase tudo: no trabalho, na vida, no desporto, etc. Antes de me mudar sentia que tinha batido no tecto da qualidade do que podia entregar. O meu esforço era máximo e o factor limitador da qualidade da entrega era a forma como o trabalho que eu tinha para fazer era entregue. Não havia tempo suficiente para inovação, era preciso planear de forma irrealista (e entregar de forma irrealista) para se conseguir fazer o malabarismo de todos os projectos. A constante mudança de contexto comia horas todos os dias.
A ética de trabalho portuguesa é, geralmente, horrível. Se eu trabalhei as minhas 8h, entreguei o que tinha para entregar e não tenho horário de trabalho, então vou sair às 16h. Ou chegar às 10h. Geralmente, fazer menos que 9-19 é mal visto, e eu fui sempre muito vocal (se calhar de forma prejudicial para mim próprio) acerca do quão estúpido isso me parece. Cheguei a ouvir algo semelhante a "tu és daqueles gajos que vão de férias desaparecem do mapa". Não é esse o objectivo das férias?
Um dia destes decidi mudar-me para o UK
Então um dia desatei a mandar CVs por esse mundo fora, a ver o que colava. Inevitavelmente, apareceram-me várias ofertas interessantes, a melhor das quais no UK. Contas feitas, a oferta praticamente multiplicou o meu salário bruto por 5 (talvez um bocadinho mais), empurrando-me de um salário mediano em Portugal para um salário bastante acima da média no UK. Esta é daquelas particularidades a que me refiro quando digo que a minha experiência é extremamente pessoal: eu tive a sorte de gostar e ter talento para trabalhar nesta área, e a dupla sorte de ser uma área em que simultaneamente há muita oferta e pouca procura de trabalho. Meio ao calhas cultivei um skillset muito valioso, ou que consegui vender bem. Infelizmente, para manter esta conta dissociada da minha identidade não vos posso especificar qual é; somos poucos, tornava-se muito fácil encontrar-me pelas publicações.
Curiosamente, está agora (à data da escrita) a fazer um ano que me decidi mudar. Nessa altura, a maior preocupação de quem se mudava para o UK era o Brexit, mas houve uma série de factores que me acalmaram:
- A empresa para onde vim trabalhar garantiu que teria o apoio do departamento jurídico da empresa caso tivesse problemas;
- Por ser estrangeiro, o potencial impacto do Brexit para mim seria relativamente limitado.
Acerca deste último: ser estrangeiro no UK ou ser em qualquer outra parte é, para mim, semelhante. Então, se o Brexit por alguma razão resultasse numa perseguição aos estrangeiros, ou numa forte desvalorização da libra, etc, a minha situação ainda assim seria melhor que antes. Teria um CV mais rico, experiência adicional na indústria, e dinheiro no banco, tudo factores que facilitariam a mudança para um país terceiro.
Portanto com os factores políticos resolvidos por ora, e com a família a apoiar, lá me decidi.
Lá vim eu.
Preparação
A preparação para a mudança dividiu-se em:
- Logística: esvaziar o apartamento que tinha arrendado;
- Legal: adquirir documentação, nomear um representante;
- Financeira: arranjar dinheiro para vir;
- Emocional.
Para benefício máximo meu e das duas empresas envolvidas, decidi reservar apenas umas 3 semanas sem trabalhar para tratar de tudo. Arrependi-me profundamente: devia ter fodido uma das empresas (a velha, potencialmente) e tido mais tempo para mim e para os meus. Naturalmente, houve muito que pude fazer enquanto trabalhava, como tratar da documentação. A logística foi um pesadelo; tive que esvaziar o apartamento em 2 dias e encontrar forma de arrumar tudo o que tinha na minha casa de família. Uma boa parte ficou por fazer pois queria passar tempo com a família em vez de arrumar merda. Tive que denunciar o contrato de arrendamento, da energia, da água e das telecomunicações. Obviamente, a Vodafone foi a mais merdosa no meio disto tudo, primeiro porque queriam que pagasse a fidelização (tive que demonstrar que vinha para o estrangeiro), e depois porque queriam cobrar o equipamento apesar de o ter entregue a horas e em boas condições. Típica escumalhice de telecom portuguesa, nada de novo.
A preparação legal foi mais cuidada. Para referência, a documentação que preparei foi:
- Carta de condução internacional: não é tecnicamente necessária, mas deu jeito pois alguns stands de carros preferem a carta internacional para test drives.
- Certidão de nascimento em inglês: também foi desnecessário, mas pareceu útil ter um backup do backup.
- Passaporte: óbvio.
Também nomeei (por procuração) um representante legal em Portugal. Inicialmente pareceu-me overkill, e apenas o recomendaria se tiverem alguém que seja de muita, muita confiança. Mas para mim tem sido muito útil, pois essa pessoa pode-me substituir em qualquer todos os compromissos, requerer a emissão de documentação em meu nome, transaccionar os meus bens (tipo vender o carro velho) e negociar em meu nome com as telecoms quando se armam em parvas (ver Vodafone acima). A pessoa que ficou com esta responsabilidade é da minha absoluta confiança, mas mesmo assim é um compromisso que deve ser mantido debaixo de olho e apenas pelo tempo necessário.
Às tantas perguntei-me "sua besta, já pensaste em quanto dinheiro vais gastar?" Bom, através de uma combinação de salário baixo e escolhas financeiras pouco saudáveis (que reconheço mas não quero detalhar), as minhas poupanças resumiam-se a uns míseros 2000€. Amigos, 2000€ não é dinheiro nenhum. Precisava de mais. Pelas minhas contas, e porque não vinha sozinho, precisaria de cerca de 15000€ para fazer isto com algum descanso, ainda que não conforto.
Lembram-se de quando tivemos uma crise "once in a lifetime" em 2008? Aquela da qual vamos ter saudades agora em 2021? Essa mesmo. Uma consequência engraçada dessa crise foi que as pessoas se habituaram a fazer crédito ao consumo, e os bancos habituaram-se a emprestar dinheiro como quem dá cá aquela palha, já que o Estado depois os resgata e ninguém vai preso. Como sempre trabalhei, paguei os meus impostos e nunca tive dívidas, pude pedir um crédito pessoal para pagar a mudança inicial. 15k no banco, check.
Obviamente não o gastei todo, e a empresa para onde fui trabalhar devolveu-me uma esmagadora parte do que gastei através de um fundo de "relocation expenses". A empresa pagou (mas eu tive que adiantar):
- Bilhetes de avião: ~500€ (comprei muito tarde porque sou profundamente estúpido);
- Hotel para 3 semanas para procurar apartamento: ~3500€ (antes que perguntem, não fiquei no Ritz, fiquei num perdeeiro pequeno e meio ranhoso mas que era no centro e que me dava acesso fácil às zonas residenciais);
- Mobília para o primeiro apartamento: ~1500€ (<3 IKEA);
- Aluguer de carros: uns 500€;
Em cima disso, paguei eu:
- Malas de viagem: ~500€ (comprei malas Samsonite e não pretendo voltar a comprar malas por muitos e bons anos);
- Despesas do dia-a-dia durante um mês e tal, até receber o primeiro salário: uns 1500 a 2000€;
- 6 rendas + 5 semanas de caução para o primeiro apartamento: ~6500€;
- Outros transportes: algures entre 200 e 500€.
Admito que fiz algumas escolhas controversas, e houve
muito dinheiro perdido em conversão de moeda. Podia ter ficado fora da cidade enquanto procurava apartamento, podia ter comprado mobília mais barata, podia ter dormido no chão, podia ter comprado malas mais baratas, podia ter andado de comboio em vez de alugar carros quando precisei. Mudei-me de uma forma que considero "medianamente confortável": não o fiz luxuosamente, mas dei-me ao luxo de trazer a Maria, de não ter que partilhar casa e de evitar largamente transportes públicos. Com o dinheiro que a empresa me devolveu constituí um fundo de emergência. Não liquidei logo a dívida porque entendo que é mais importante ter um fundo de emergência do que estar debt-free (mais sobre isso daqui a um post ou dois).
São escolhas. Emigrar é caro, amigos. Conheço quem o tenha feito com 200€ no bolso, mas não é confortável e não quero isso para mim.
Praticamente foi tudo pago através do Revolut. Criei uma conta pouco antes de vir, comprei o premium para não ter limites de conversões, e usei. Inclusivamente recebi lá o primeiro salário enquanto não criei a conta no banco.
A preparação emocional foi a menos complicada. O meu núcleo duro é relativamente pequeno, e toda a gente estava preparada há muito tempo para que eu "fugisse"; era conhecido praticamente desde que tinha começado o PhD que a minha área não era viável em Portugal, e que estava revoltado com a ética de trabalho merdosa. Naturalmente a minha mãe não gostou da ideia, mas são coisas da vida. Ainda assim, um conselho: não se armem em fortes e não descuidem a preparação psicológica/emocional que é necessária para este tipo de viagem. Eu sei que pessoas diferentes têm níveis de resiliência diferentes, mas o português tem muito a mania de achar que é o maior; cuidado com isso. Além disso, não deixem que estas preparações vos tomem todo o tempo que têm; guardem tempo para estar com a família, para lazer, e para descansar. Eu deixei-me consumir um pouco e não foi bom.
Como não ser sem-abrigo
Aterrei em meados de Setembro num dia nublado com duas malas de 30kg, uma mochila para mim e outra para a Maria, e a
convicta certeza de que me estava a foder. Tinha cerca de 2.5 semanas até começar a trabalhar, e até lá a missão era só uma: encontrar um apartamento. Há muito para dizer acerca da habitação no UK, vou escrever um post só para isso e por isso aqui vou focar apenas na experiência do recém-chegado.
Eu decidi que não estava disposto a arrendar pelo privado; iria sempre através de uma agência imobiliária. Como não tinha tanta familiaridade com o mercado nem com a legislação, achei que seria mais seguro ir por essa via mais cara e minimizar a possibilidade de ser ludibriado. Recomendo vivamente. Então comecei a encetar contactos por telefone para marcar visitas a apartamentos.
E aí bateu-me.
Eu não conseguia perceber
nada do que estes caralhos diziam ao telefone. NADA. "Ahka hrask apfiasdafsd duja sudn" diziam eles, e eu "sorry, I have a really bad connection, could you repeat that?" e eles lá repetiam mais calmamente "G'mornin, how can I help you today?". Muita vez disse eu que tinha pouca rede, a ver se eles abrandavam um bocadinho. E funciona! Top tip: se estiverem a tentar perceber o que eles dizem por telefone, queixem-se da ligação; o serviço móvel no UK é tão mau que eles vão na conversa.
Agora, eu sei falar inglês, ok? Naveguei perfeitamente bem as entrevistas, tenho dúzias de publicações em inglês "impecável", e trabalho em inglês há anos e anos. O problema é o seguinte: falar inglês enquanto se trabalha e escrever coisas em inglês são ambos experiências muito diferentes da de tentar falar com um nativo com sotaque, que assume maneirismos e expressões que não conhecemos, sobre locais que não conhecemos e dentro de um sistema (de arrendamento) que não conhecemos, tudo isto por telefone e sem poder ler nos lábios nem ler expressões corporais.
Com algum desenrascanço tipicamente português fui enchendo os dias de visitas a apartamentos na zona. Num dos dias aluguei um carro para ir ver apartamentos numa cidade vizinha (onde até acabei por ficar), algo que recomendo vivamente. Durante essas semanas vimos facilmente uns 25 apartamentos, talvez mais. As primeiras impressões foram:
- Os ingleses adoram alcatifa;
- A sério, alcatifa em todo o lado, é incrível;
- As casas são minúsculas e eles mantêm-nas desarrumadas (ponto muito pessoal, eu sou neat freak);
- Não gostam de apartamentos (aliás, os apartamentos têm uma conotação muito negativa, mas depois vivem em casas minúsculas);
- Os preços são exorbitantes;
- Os senhorios aqui têm muito mais poder que em Portugal. Ou por outra: a posição de arrendatário aqui parece-me ser muito mais frágil que em Portugal.
(Um aparte acerca da alcatifa: se tiverem uma casa toda alcatifada comprem um robot aspirador de qualidade e aspirem todos os dias, até mais do que uma vez. A vossa qualidade de vida vai aumentar 1000 vezes.)
Escolhido o apartamento, fizemos uma oferta/candidatura. Oferecemos o valor que o senhorio pedia e, já tendo falado com muitos agentes, ofereci-me para pagar o contrato inteiro de 6 meses no dia da entrada. O que se seguiu foi um processo que, para mim, era completamente estrangeiro: o de "referencing" do potencial arrendatário. Pediram-me as moradas anteriores até 3 anos e os contactos dos senhorios, assim como a minha morada de família permanente e (muitos) dados pessoais. Essa informação foi usada para verificar que eu não era um impostor, e para verificar que tinha o hábito de pagar a renda. Ligaram para a minha antiga senhoria portuguesa, uma senhora de 82 anos, a perguntar se eu pagava a renda. Por mero acaso ela fala inglês (foi investigadora) e soube-lhes dar resposta, mas achei a atitude absolutamente desnecessária. Lembro-me de me sentir ofendido; "mas estes filhos da puta acham que pagar 6 meses à cabeça não chega?"
Seguiu-se um contrato de arrendamento para uma Assured Shorthold Tenancy [1], que é a modalidade "normal" de arrendamento para habitação por aqui. O agente imobiliário tratou de toda a papelada, mas eu tirei um dia para ler todo o contrato e verificar se batia certo com o que conhecia da lei daqui, o que recomendo vivamente. Atenção que a partir de meados de 2019 as taxas cobradas pelos agentes imobiliários passaram a ser limitadas por lei [2], por isso se vos pedirem alguma taxa administrativa mandem-nos sugar no pénis mais próximo. Na altura disseram-me que o normal, antes dessa mudança, seria o arrendatário pagar uma taxa de 700 libras à imobiliária pelo serviço. Era matá-los.
Assinado o contrato, ficou fixada uma data para entrada no apartamento. O valor a pagar é esperado nesta altura, no momento imediatamente precedente à entrega das chaves,
o que significa que é preciso ter esse dinheiro disponível num cartão aceite pela imobiliária. Obviamente que é possível pagar por transferência, mas isso pode atrasar a data de entrada, e eu estava a pagar hotel por isso tinha interesse em me despachar.
Este processo foi, para mim, extremamente stressante. Até ao momento em que temos a chave na mão, o nível de incerteza é altíssimo: vou precisar de estender a estadia no hotel? Vou ter dinheiro que chegue caso o senhorio recuse o arrendamento? Será que vou ter que procurar noutra zona? Será que vou conseguir fazer isso enquanto trabalho? Para mim, encontrar a primeira casa foi facilmente a parte enervante da mudança. Agora já tenho uma posição muito mais sólida: conheço a zona, conheço o mercado, tenho um pé de meia e transporte próprio. O início custa muito mais.
Burocracias adicionais a tratar no início
Além da casa, que era a minha primeira preocupação, há um outro conjunto de coisas que têm que ser tratadas quanto antes:
- Utilities/council tax [3]: cabe ao arrendatário contactar os fornecedores de água e energia e registar-se para pagar o council tax. O council tax é um imposto anual (normalmente dividido em mensalidades) que paga coisas como a polícia local, os jardins, enche o cu aos políticos, e por aí fora. Fica algures entre 1000 e 2000 libras por ano. Isto não tem que ser feito antes de entrarem, mas é recomendado que o façam até um par de semanas depois de entrar na casa. Eles são muito relaxados com isto.
- Proof of residence: qualquer carta que recebam em casa endereçada em vosso nome serve de prova de residência. O normal é usar-se cartas dos fornecedores de energia ou do council. Isto é importante para várias coisas.
- Letter of employment: por precaução, eu pedi uma carta ao meu empregador que confirma o meu emprego. Isto é perfeitamente rotineiro de se pedir, e pode ser benéfico junto do banco, por exemplo.
- National Insurance Number (NINo): uma espécie de número de utente misturado com número de identificação fiscal. Deve ser tratado assim que tiverem proof of residence.
- Tax code [4]: no UK usa-se normalmente um sistema chamado Pay As You Earn (PAYE) [5]. Isto baseia-se num código que é dado pelo Her Majesty's Revenue and Customs service (HMRC) ao vosso empregador, que dita quanto pagam por mês. Normalmente não é preciso fazer nada de especial acerca do tax code, apenas estar de olho nos recibos de vencimento e ver se faz sentido. Se não tiverem NINo, ao começar a trabalhar é-vos atribuído um "emergency tax code" ao abrigo do qual ficarão garantidamente a pagar impostos a mais. Este dinheiro é devolvido, normalmente, no pagamento de salário seguinte à rectificação do tax code, mas o impacto no início pode ser devastador. Eu paguei tanto dinheiro em impostos a mais durante os primeiros meses, que quando recebi o reembolso fui comprar um carro.
- Conta no banco: se tiverem feito um Revolut, que é um banco "formal" no UK, não é tão necessário irem a correr abrir uma conta num banco convencional. Eu fi-lo na mesma para poder ter o dinheiro de emergência e poupança num banco normal, mas uso o Revolut para as despesas correntes na mesma (há-de haver um post sobre finanças).
Referências
[1]
https://england.shelter.org.uk/housing_advice/private_renting/assured_shorthold_tenancies_with_private_landlords [2]
https://www.gov.uk/government/collections/tenant-fees-act [3]
https://www.gov.uk/council-tax [4]
https://www.gov.uk/tax-codes [5]
https://www.gov.uk/income-tax/how-you-pay-income-tax Capítulos Anteriores
O próximo capítulo deve ser mais sobre habitação ou sobre compramanter carro e conduzir. Depende de qual o capítulo que acabar por ficar pronto mais cedo. Às tantas calha ser outro qualquer ¯\_(ツ)_/¯
Se este post gerar uma resposta tão forte como os outros, é possível que eu não consiga responder a todos os comments. Se for esse o caso, peço desculpa; vou dar o meu melhor.
No outro post alguém (um mod?) colocou o flair "Conteúdo Original". Não encontrei esse por isso pus "discussão".
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.
submitted by Em 2019 o SPFC teve a melhor defesa da Série A com 30 gols sofridos, dois a menos que Palmeiras e CAP que vieram em seguida com 32. Os 3 zagueiros principais eram Bruno Alves e Arboleda, titulares, mais o Anderson Martins, reserva direto. Nenhum deles foi negociado e a defesa permaneceu a mesma para 2020. Isso seria um bom sinal para qualquer equipe, mas não quando o seu treinador é um mago.
O Diniz, obcecado com saída de bola, foi dando a cara dele para o sistema defensivo. Em troca de uma maior "qualidade" na saída da defesa até o ataque o time passou e ficar mais exposto e, obviamente, sofrer muito mais gols. Qualquer time passou a marcar facilmente no SP, sendo isso bem visível contra o Mirassol e depois contra o Bragantino, jogo que eles perderam 2 pênaltis.
Preocupado com isso o "treinador" fez mudanças, mas não na forma de jogar. Ele tirou a dupla titular, ignorou o reserva direito e montou uma nova dupla zaga com um garoto vindo da base e o LATERAL ESQUERDO RESERVA.
Foi uma maluquice que a princípio até deu algum resultado, mas como diz o próprio Diniz, o que importa é "o trabalho", a "continuidade", etc, todos esses chavões que a gente já conhece. Bom, resultado do trabalho dele é que a melhor defesa de 2019 se transformou em uma das piores de 2020.
Sendo assim eu fiz um compilado com os outros elencos da Série A e simulei a mesma mudança em todas as equipes. Veja se faria sentido uma alteração equivalente para o time que você torce.
CAP
Saem: Thiago Heleno e Pedro Henrique
Entram: Lucas Halter e Abner
Atl. GO
Saem: Eder e João Vitor / Gilvan
Entram: Luan Sales e Natanael
CAM
Saem: Junior Alonso e Igor Rabello
Entram: Matheus Stockl e Fábio Santos
Bahia
Saem: Ernando e Juninho
Entram: Ignacio e Zeca
Botafogo
Saem: Kanu e Rafael Foster / Benevenuto
Entram: David Sousa e Hugo
Ceará
Saem: Luiz Otávio e Gabriel Lacerda / Tiago Pagnussat
Entram: Fernando Dias e Kelvyn
Corinthians
Saem: Gil e Danilo Avelar
Entram: Ronald e Sidcley
Coritiba
Saem: Rhodolfo e Sabino
Entram: Thiago Dombroski / Márcio e Patrick Vieira / Kazu
Flamengo
Saem: Rodrigo Caio e Leo Pereira
Entram: Natan e Renê
Fluminense
Saem: Nino e Luccas Claro
Entram: Luan e Danilo Barcelos
Fortaleza
Saem: Paulão e Quintero
Entram: Diguinho e Bruno Melo
Goiás
Saem: Rafael Vaz e Fábio Sanches / David Duarte
Entram: Alan / Iago Mendonça e Caju
Grêmio
Saem: Geromel e Kannemann
Entram: Ruan e Diogo Barbosa
Internacional
Saem: Victor Cuesta e Zé Gabriel
Entram: Pedro Henrique e Uendel
Palmeiras
O Palmeiras está atrás de um lateral esquerdo. No momento apenas o Viña é lateral de ofício. Coloquei o Mayke porque acredito que ele seria o titular em caso de emergência. Ele ou o Scarpa.
Saem: Gustavo Gomez e Felipe Melo
Entram: Renan e Mayke
RBB
Saem: Léo Ortiz e Ligger / Leonado Realpe
Entram: César Haydar e Weverton
Santos
Saem: Lucas Veríssimo e Luan Peres
Entram: Alex e Diego Pituca / Jean Mota
Sport
Saem: Iago Maidana e Adryelson
Entram: Pedrão e Sander / Luciano Juba
Vasco
Saem: Leandro Castán e Ricardo Graça / Miranda
Entram: Ulisses e Neto Borges
Série B
Cruzeiro
Saem: Léo e Cacá
Entram: Paulo e Giovanni.
Se tiver algo errado me avisem pra adicionar a correção.
Edit. Adicionado o Cruzeiro
submitted by Bom dia/tarde/noite. Eu sou estudante universitário em Tóquio e estou a pensar em me mudar para Portugal (tenho nacionalidade portuguesa, apesar de nunca ter morado em Portugal). Mesmo sem nunca ter ido a Portugal, pesquiso muito sobre o país e me encantei com o lugar. Li muitos relatos de estrangeiros que vivem em Portugal e que também amam o país, e inclusive tenho duas amigas japonesas que foram para Portugal a turismo, se encantaram e planejam morar no país no futuro. Porém eu vi que há problemas em relação ao salário de Portugal, li que é muito baixo. Será que vale a pena me mudar do Japão para Portugal quando acabar a universidade ou vocês me recomendam eu continuar a morar no Japão? Como é trabalhar em Portugal (além do salário)? E morar? Grato pela atenção.
submitted by Infelizmente acabou a competitividade, não existe mais nenhum adversário melhor do que o Atlético na América do Sul. Talvez, em busca de maiores desafios, esteja na hora do Atlético ir pra Europa jogar a Champions League, ou sendo mais ousado, se mudar pra Inglaterra em 2021.
submitted by Duas considerações antes : suponha que seria impraticável construir qualquer tecnologia que amenizasse o dano, e que não houvesse qualquer alternativa de locomoção em massa para outro planeta .
1- Você acharia ético que os cientistas que descobriram o evento o divulgassem para a mídia ?
2- Se fosse divulgado , como você acredita que as pessoas reagiriam à descoberta ao longo do tempo?
Alguns pensamentos meus sobre : 20 anos é um tempo grande na escala da vida humana . Acho que as reações iriam variar bastante a depender da fase da vida que as pessoas se encontrassem no momento da descoberta . Não que os idosos(60+) não fossem se preocupar , até porque limitar a morte para uma data fixa é mais aterrorizante do que constatar que sua vida vai provavelmente acabar antes do limite . E , além disso , praticamente todo mundo tem um conhecido a quem se tem compaixão. Não se trata apenas de saber que você vai morrer , mas que todos que amamos também vão morrer juntos . Obviamente damos uma importância maior a nós mesmos , e por isso crianças , jovens e adultos teriam um impacto psicológico maior , afinal a probabilidade de eles viverem mais 20 anos é mais alta que a de um idoso.
Eu penso que a morte por eutanásia iria crescer bastante. Provavelmente muitas barreiras éticas relacionadas à morte para aliviar um sofrimento maior seriam superadas, principalmente na proximidade do impacto. Acho que os sentimentos iriam variar muito ao longo do tempo . Nos primeiros meses haveria um grande caos , pânico e , é claro , os negacionistas tentando acalmar o povo - inclusive eles poderiam superar os cientistas na crença popular ,dada a grande dificuldade que temos em aceitar verdades inconvenientes .
Mas como o ser humano não consegue ficar nesse estado por tanto tempo ( creio eu) , aos poucos as pessoas iriam voltar à "normalidade" - como a gente enfrentando a pandemia da Covid . Claro , não seria o mesmo normal , e conforme o tempo fosse passando, a euforia voltaria a crescer , talvez exponencialmente culminando num pico de anarquia no ano do impacto .Nesse cenário penso que as pessoas iriam se arriscar mais. Elas esqueceriam muitos projetos a longo prazo e pensariam mais no presente . Pra quê trabalhar tanto para financiar uma casa cara ? Por que fazer um longo curso chato para ser rico ? O mundo poderia caminhar pra um estado de hedonismo distópico , com muitas pessoas drogadas ou viciadas em qualquer outra coisa , relacionamentos poligâmicos , e violência dos mais diversos tipos.
E quanto ao primeiro questionamento , acho que ele é válido por uma ótica utilitarista . Penso que no geral o sofrimento seria bem menor caso as pessoas simplesmente não soubessem que todas iriam morrer em 20 anos . Por outro lado , só acho ele válido por causa das considerações . Se todas as pessoas soubessem , o mundo iria se empenhar em encontrar uma solução pro problema .( Sei que esse tópico é bizarro mas me veio isso na cabeça e decidi ir digitando hahaah )
submitted by Imagino que a maioria das pessoas aqui conhecem o Attenborough, aquele naturalista britânico que ficou famoso produzindo documentários sobre a natureza pra BBC. Pois bem, ele considerou esse documentário como um testamento pessoal sobre a vida e sobre o futuro da humanidade na Terra.
Basicamente ele usa a história de vida dele pra contar a história das ações da humanidade no período pós-Segunda Guerra. Começa desde quando ele era criança, passando por suas viagens pelo globo filmando documentários e terminando hoje com ele tendo 93 anos. Nessa história toda ele conta tudo o que a gente vê hoje: a aceleração do desmatamento, a destruição da biodiversidade em diversos ecossistemas, o aumento no despejo de gases causadores do efeito estufa, o crescimento populacional desenfreado, recuo das calotas polares etc...
No final ele da algumas previsões de coisas que vão acontecer nas próximas décadas e passa algumas ideias de como a gente poderia diminuir o impacto das mudanças climáticas. Essa última parte eu não comprei tanto, já que ele da um tom meio esperançoso e eu já perdi a esperança há muito tempo. Não acho que a gente vai ver uma grande mudança em prol de energias renováveis, não acho que o desmatamento pode ser freado, não acho que a indústria da carne vai perder forças, enfim... acho que o fim da humanidade como conhecemos hoje já é questão de tempo próximo (~2100) e esse documentário só corroborou com o que eu penso.
submitted by Eu escolhi Engenharia Mecânica como segunda opção porque partilhava muitas cadeiras com outro curso que eu mais desejava: Engenharia Aeroespacial.
Como acabei de receber confirmação que não consegui entrar na Aeroespacial, vou seguir Mecânica e depois candidatar me para alteração de curso.
Sabendo isto, o que é que eu preciso de saber acerca das mudanças de cursos? Consigo mudar de curso e não ter de repetir o ano? Consigo mudar de curso sequer?
Desculpem se está um bocado confuso porque eu também estou.
submitted by Para quem não lembra/não sabe, só a partir de 1994 que vitória passou a valer 3 pontos para todos os campeonatos oficiais, antes valia 2 (apesar de alguns campeonatos terem sido testados com 3 pontos para vitória).
Pois eu acho que uma nova mudança deveria ser feita, para o gol e a vitória se tornarem mais interessantes ainda.
Empate sem gols = ninguém pontua. Seria como se os dois tivessem perdido. Não vejo sentido em dar pontos para quem não fez ponto (gol) nenhum. Além de ter aberrações com a Suíça que em uma Copa passada foi até as oitavas sem fazer nenhum gol.
Empate com gols = 1 ponto para cada
Vitória = 5 pontos
Assim a vitória valeria *muito* mais.
O que vocês acham?
submitted by Bem, eu tenho 17, sou homem, hétero e ainda sou virgem e eu assisto porno desde 13 anos se pá.
Quero parar com isso, não acho uma coisa saudável e além disso, tem vários problemas vinculados ao porno, etc e etc. E eu queria saber de quem parou: e aí? O que mudou?
Quero usar esse post de motivação para os momentos de dúvida e "fraqueza".
Obrigado desde já!
submitted by Ervaar o-vale-da-mudança en kom genieten van de rust en de ruimte. Kleinschalig, een plek waar je je thuis voelt door persoonlijkheid en aandacht aan binnen en buiten, en natuurlijk voornamelijk aan onze gasten. De accommodaties zijn op eigen wijze persoonlijk ingericht met een mix van Portugese invloeden, vondsten, curiosa en moderne aankopen. English Translation of “mudança” The official Collins Portuguese-English Dictionary online. Over 100,000 English translations of Portuguese words and phrases. mudança f (plural mudanças) change (the process of becoming different) exchange (act of exchanging) move (event of changing one's residence) all the objects carried when one changes residence; Quotations . For quotations using this term, see Citations:mudança. Synonyms (change): modificação, muda, mutação, permutação Add Dimming or Brightening Bulbs to a Routine. To brighten your lights slowly in the morning without your alarm sounding, or to slowly dim them at night, add the action to a routine. Mudança social em Portugal, 1960/2000
Provided to YouTube by CDBaby Mudança (Play-Back) · Esteves Jacinto Fantasia, Vol. 5 ℗ 2018 Kadosh Music Released on: 2018-03-20 Auto-generated by YouTube. Nossa cidade não para, por que temos que deixar os mesmos representantes políticos que não fazem nada, hora da mudança. Alguém que gostaria de ter sido avisada que a vida adulta é muito mais complexa do que parece ser! Eu sou a Mari e saí de casa pra realizar um sonho: morar s... Fizemos uma mudança drástica no camping, mudamos pra melhor. *** Quer ficar por dentro dos eventos que vão acontecer em nosso Camping Base da Família X? Mand... Provided to YouTube by ONErpm Mudança · Chico Amado & Xodó A Fila Anda ℗ MD MUSIC Released on: 2008-05-23 Auto-generated by YouTube.